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Análise: "marcha lenta" do Flamengo minimiza fiasco na Vila, mas liga alerta antes do Mundial

Entre a falta de concentração e os erros técnicos, Rubro-Negro é completamente envolvido pelo Santos e sofre pior derrota com Jesus. Goleada por 4 a 0 não deixa

estragos e sim algumas lições



Foto: LUIS MOURA/WPP/ESTADÃO CONTEÚDO.



Usar a rodada final do Campeonato Brasileiro como preparação para o Mundial de Clubes foi da boca para fora. Os discursos prévios dos jogadores do Flamengo foram por água abaixo com a "marcha lenta" de sua atuação. Entre a falta de concentração e os erros técnicos, o Rubro-Negro foi completamente envolvido pelo Santos no último domingo e saiu da Vila Belmiro goleado por 4 a 0. A pior derrota sob o comando de Jorge Jesus não deixou estragos pela desmotivação, mas ligou alertas.


Tecnicamente, algumas peças vêm muito abaixo do que podem. Um exemplo cristalino disso é Filipe Luís. O lateral-esquerdo que era um dos destaques do time caiu de rendimento desde a final da Libertadores e na Vila Belmiro falhou em dois dos quatro gols sofridos. Bruno Henrique, que voltou a sentir dores na coxa direita, também

não vem bem desde o jogo contra o Palmeiras.


Taticamente, a equipe voltou a oferecer muitos espaços entre as linhas de defesa e meio de campo, o que tinha acontecido contra o Vasco. Naturalmente preocupado com a agilidade do ensaboado Soteldo nas costas de Rodinei, Gerson muitas vezes fazia a cobertura dobrando a marcação no setor. Porém, isso deixava um buraco no meio que foi muito bem explorado ora por Sánchez, ora por Marinho.



Gerson foi ajudar Rodinei na direita e deixou buraco no meio; Arão ficou com dois para marcar — Foto: Reprodução.


O velho problema da bola aérea defensiva, que havia sido corrigido por Jesus, voltou a incomodar. O Flamengo não sofreu gols de escanteio, mas foi por muito pouco. Em três bolas alçadas na área, Gustavo Henrique e Sasha no primeiro tempo, e Lucas Veríssimo no segundo, tiveram chances claras de cabeça enquanto a defesa rubro-negra dormia no ponto. Liverpool e Al-Hilal têm jogadores altos.


No ataque, o Flamengo pouco apareceu, tirando as duas chances com Gabigol logo nos primeiros minutos. Poderia ter conseguido mais, mas pecou por tomadas de decisões equivocadas. Um exemplo disso foi o raro contra-ataque puxado por Arrascaeta em que Vitinho chutou cruzado para fora. O uruguaio ficou livre na entrada da área e de frente para o gol, mas o atacante não tocou.


Observações:


Time reserva: Jorge Jesus é religiosamente contra o hábito brasileiro de poupar um time inteiro e prefere preservar nomes pontuais por jogo - contra o Santos foi Rafinha. A ideologia se provou certa e tudo mais com os títulos em 2019, mas diante de um cenário de nítida falta de motivação (e preocupação com lesões) o técnico poderia ter optado por uma equipe alternativa;


E a zaga, ó... O Flamengo viu ruir a sua invencibilidade que já durava quatro meses ou 29 jogos. Porém, quem também perdeu pela primeira vez juntos foram Rodrigo Caio e Pablo Marí. A dupla de xerifes rubro-negros estava invicta até então e cheia de moral, mas sofreu um baque emocional antes da viagem para o Mundial;



Rodrigo Caio e Marí perderam invencibilidade, e bola aérea volta a assustar — Foto: Ricardo Moreira/BP Filmes.



* Seca rara: Dono do melhor ataque do futebol brasileiro em 2019 com 150 gols, o Flamengo viveu um dia sem estufar as redes no domingo. Foi apenas a nona partida das 74 que já disputou na temporada sem marcar. Foram quatro jogos em branco pelo Brasileirão, três pela Libertadores e dois pelo Carioca;


* A César o que é de César: Não se deve de forma alguma tirar o mérito do Santos, que jogou muita bola, encarou a partida como uma verdadeira final e poderia ter vencido mesmo contra um Flamengo 100% ligado. Aliás, Sampaoli foi o adversário mais difícil para esse Flamengo do Jesus, até mesmo na vitória por 1 a 0 no primeiro turno.



O Flamengo folga nesta segunda e terça-feira e se reapresenta na manhã de quarta no Ninho do Urubu para começar a verdadeira preparação para o Mundial de Clubes em Doha, no Catar. O Rubro-Negro estreia no próximo dia 17, contra o vencedor de Al-Hilal, da Arábia Saudita, e Espérance, da Tunísia.


* https://globoesporte.globo.com/Por Thiago Lima — Santos, SP.





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