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Famílias adaptam homenagens do Dia de Finados em meio à pandemia da covid-19

Floriculturas e vendedores de flores reclamam do movimento fraco



Cemitério do Caju

Gabriel Bastos/Estadão Conteúdo


Rio - Em meio à pandemia da covid-19, famílias redobraram os cuidados para prestar as homenagens aos entes queridos no Dia de Finados, nesta segunda-feira. No Cemitério do Caju, na Zona Portuária, há medição de temperatura dos visitantes e álcool em gel na entrada, seguindo os protocolos de segurança. O movimento, no entanto, é bem abaixo do ano passado.


Diego Almeida, 32 anos, pela primeira vez vai ao cemitério no Dia de Finados. Após perder a avó há seis meses, o morador do Cachambi, na Zona Norte, decidiu acompanhar a mãe. "Todo ela vinha com a minha vó. Para ela não vim sozinha, eu vim para fazer companhia", conta. Com flores e álcool gel na mão, o economista diz que eles tomaram todos os cuidados para prestar as homenagens. "Viemos de carro pra evitar o transporte público."


A mãe de Diego, a professora Jeane Oliveira, 57 anos, lembra que a data sempre foi uma tradição na família. "Sempre vim com a minha mãe desde criança. Em casa, sempre foi uma dia de lembrança, saudade e homenagem. Aprendi isso com ela e não poderia deixar de vim esse ano". Além do filho, a educadora estava acompanhada do primo, o aposentado Benedito Miguel, 60 anos. "Eu perdi minha mãe há quatro meses, não vinha todo ano, mas com a morte dela vou começar a vim certamente", afirma.


O pedreiro Carlos Alberto, 42 anos, passou a frequentar o cemitério no Dia de Finados após a morte do irmão há um ano e três meses."É um compromisso com Deus, sabemos que a alma dele está com ele. Esse ano não poderia ser diferente. É claro, que existe o medo da covid-19, mas tomamos todos os cuidados, nos precavemos", garante o morador de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.


A moradora da Penha, também na Zona Norte, Rosimeire Bezerra, 51 anos, foi ao cemitério pela primeira vez para acompanhar o sobrinho Maicon Aurélio, 30 anos, que perdeu o pai. "Para mim essa data sempre foi muito triste e agora ficou ainda mais com a morte do meu irmão", lamenta.


Teresa Cristina, 59 anos, sempre vai ao cemitério na data prestar homenagens ao pai, mãe e irmã. Os três morreram em 2018. "Foi um ano muito difícil pra mim. Eu sou espírita cadercista e sei que aqui [túmulo] é só uma roupa, mas venho em respeito. Trago rosas e acendo velas."


A amiga dela, Arminda Domingos, Lima, 66 anos, já tem a data como uma tradição de família. "Sou católica, venho desde que minha mãe era viva. Depois da morte dela virou meu ritual."


* Floriculturas e vendedores de flores reclamam do movimento


A aposentada Rosimeire Sabino, 62 anos, vende flores no Dia de Finados no Cemitério do Caju há 34 anos comenta que o movimento está bem abaixo dos anos anteriores. "Está muito fraco. Eu devo vender R$ 2 mil a menos que o ano passado. Normalmente, eu vendo uns R$ 3 mil. Mas vai dar para ganhar um dinheiro para o Natal", acredita.


Michele Sabino, 40 anos, trabalha há 17 anos com a mãe e não tem dúvidas da causa do movimento fraco. "É a pandemia, muita gente está com medo de sair de casa ainda, a gente vai vender muito menos."


João Queiroz, 50 anos, dono da floricultura Flora do Caju estima que o movimento está 80% abaixo comparado ao ano anterior. "É o pior Finados de todos os tempos", diz ele que tem o negócio há 25 anos.


"Esse ano a gente está vendendo muito pouco. Não vai dar prejuízo, porque eu não comprei a mais para a data porque eu já imaginava o movimento fraco por causa da pandemia", completa João.


* https://odia.ig.com.br/POR LUANA BENEDITO.


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