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Famílias se únem por ação coletiva; Flamengo ainda crê em acordos individuais



Família de Arthur Vinicius, uma das vítimas do incêndio no Ninho do Urubu, na chegada ao TJ-RJ Foto: Diogo Dantas/Flamengo.



O impasse entre Flamengo e as famílias das vítimas da tragédia no Ninho agora deve caminhar para a Justiça. Os parentes dos atletas mortos já falavam ontem em mover uma ação coletiva. No entanto, não estão descartadas tentativas de reparação individuais pelos advogados.


— A gente está se fortalecendo. Nenhum dinheiro vai trazer os nossos filhos. Mas eles têm que ter respeito — disse Marilia Barros, mãe de Arthur Vinicius.


— Nossos filhos morreram juntos, temos que lutar juntos — reiterou a mãe.


O Flamengo, internamente, enxergou influência dos advogados para levar o caso a um processo na Justiça. O clube entende que o valor oferecido não será pago após anos de ação em julgamento. E que apenas os advogados vão se beneficiar em não aceitar a mediação agora.


As advogadas Mariju Maciel, que representa a família de Pablo, e Paula Wolf, que atende aos parentes de Jorge Eduardo, disseram que não aceitaram negociações individuais sem um valor mínimo igual para todos os familiares dos dez atletas mortos.


- A nossa proposta para eles significaria 15% do orçamento do ano do Flamengo. Mesmo assim eles não aceitaram. A gente aceitaria uma negociação individual se fosse estipulado um patamar mínimo para todos. Isso tem que ser decidido coletivamente. Não tem porque eu não saber a proposta que o outro atleta recebeu. É um grupo só - disse Paula.


O Ministério Público e a Defensoria cobraram o Flamengo a refletir e apresentar uma proposta mais vantajosa para evitar processos. No momento, essa possibilidade não está em vista no clube, que sofre críticas externas e internas por causa da postura no caso.


- As famílias estavam dispostas a ouvir. Aí o Flamengo fez uma proposta e não era condizente com o que as famílias esperavam. Depois, elas se reuniram sem o Flamengo e fizeram uma proposta de consenso. O clube não concordou. Pedimos que os advogados levassem a questão ao presidente, e não foi possível acordo. As famílias, então, decidiram encerrar o processo de negociação - disse Cinthia Guedes, representante da Defensoria Pública.


* Extra/Globo.

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