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Governo vê ampliação do estágio probatório como recurso para demitir servidores

Medida virá na PEC da Reforma Administrativa e é defendida pelo ministro Paulo Guedes; jurista analisa que há desvio de finalidade



Paulo Guedes já criticou algumas vezes a estabilidade de servidores - Washington Costa / Ministério da Economia.


A estabilidade dos servidores tem sido o principal alvo da equipe econômica do governo Bolsonaro. Desde o seu discurso de posse, o ministro Paulo Guedes (Economia) revela a intenção de aumentar a produtividade do setor público, e de criar mecanismos para viabilizar a dispensa de funcionários. E a ampliação do estágio probatório foi vista por integrantes do Palácio do Planalto como o principal meio de colocar isso em prática.


Atualmente, são três anos de estágio probatório, ou seja, de avaliação contínua do profissional recém-ingressado no cargo. E a área técnica da União estuda estender esse período para oito ou até dez anos.


É justamente durante o estágio que há mais facilidade de a administração pública dispensar o servidor. Mas passado esse prazo, o funcionário passa a ter estabilidade, e é essa a crítica contínua de Paulo Guedes.


Para o ministro, os entraves para a demissão muitas vezes prejudicam o desempenho do setor. E, consequentemente, a prestação dos serviços à população.O aumento do tempo de estágio probatório virá na proposta de emenda constitucional (PEC) da reforma administrativa. E, a princípio, deve atingir só quem ainda entrar no setor público. Assim, se a PEC for aprovada no Congresso, há grandes chances de provocar efeito cascata nos estados e municípios.


Padrões do setor privado


Vale ressaltar que a 'essência' da reforma é tentar equiparar serviço público o máximo possível aos parâmetros da iniciativa privada. Por isso, o projeto também deve reduzir o salário inicial para novos servidores.


Para jurista, medida tem desvio de finalidade


Para Manoel Peixinho, que é especialista em Direito Constitucional e professor da PUC-Rio, a extensão do estágio probatório pode criar um desestímulo aos profissionais. E também dará brechas para "perseguições de cunho político" — "Isso é muito comum no serviço público', crava.


Peixinho avalia que, na verdade, há um desvio de finalidade com essa medida. "Há preocupação com a imparcialidade na avaliação do servidor. Deixar o estágio probatório

muito prolongado é submetê-lo a uma avaliação permanente, e possivelmente a uma situação de assédio", analisa. "Há um desvio de finalidade desse novo modelo de estágio

probatório para ter um lastro maior para demitir o servidor", acrescenta.


Hoje, quem está em estágio probatório é avaliado periodicamente. É feito um relatório por uma comissão, e a partir daí a pessoa recebe uma pontuação. Se não apresentar desempenho satisfatório, será demitida.


* O DIA/Por PALOMA SAVEDRA.



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