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Pandemia de coronavírus pode interferir no número de suicídios

O CVV Comunidade, de Francisco Beltrão, promove o Grupo de Apoio aos Sobreviventes do Suicídio (Gass).



Foto: Leandra Francischett/jdeB.


A notícia de que uma enfermeira italiana cometeu suicídio após descobrir que estava infectada com Covid-19, divulgada ontem no site UOL, causou comoção e acendeu a luz de alerta para os riscos de tentar contra a própria vida, neste período de pandemia. Daniela Trezi trabalhava na linha de frente do combate à doença em Lombardia e tinha muito medo de ter transmitido o vírus para outras pessoas.


Neste clima de incerteza, as pessoas ficam mais tocadas e, dependendo da situação, não encontram saída para o sofrimento. Esta é a realidade enfrentada pelos voluntários do Centro de Valorização da Vida (CVV), que prestam apoio emocional aos sobreviventes do suicídio, ou seja, pessoas próximas de alguém que cometeu o suicídio e aquelas que tentaram o suicídio.


O CVV Comunidade, de Francisco Beltrão, promove o Grupo de Apoio aos Sobreviventes do Suicídio (Gass), sempre na última quinta-feira de cada mês. Em março, o encontro seria hoje, dia 26, mas em cumprimento ao decreto municipal e estadual, a entidade está com as atividades temporariamente suspensas. Permanece o atendimento no 188, ligação gratuita e sigilosa, com abrangência em todo o Brasil.


Confira entrevista com a voluntária Edinéia Dotti Mooz.


- JdeB – Por que o período de quarentena interfere tanto no emocional das pessoas?


Edinéia Dotti Mooz: São múltiplos fatores: a questão do isolamento social, o medo do contágio, a apreensão financeira com base no quadro econômico do país, desânimo, tédio, sem falar que agora temos finalmente o tempo suficiente para pensar em nós e nas relações familiares, aumentada em 100% quanto à convivência, em certos casos.


- Por que isso pode levar ao suicídio?


Segundo o psicólogo Marlon Reikdal, o funcionamento mental motivador da ideação suicida possui três bases fundamentais: inescapável (sem saída), intolerável (não suportar) e interminável (sem fim). Estes três sentimentos permeiam a mente de alguém que já possui alguma predisposição à psicopatologia, amplificada pelo isolamento social, a solidão e as dificuldades familiares, as quais são colocadas à mostra na maioria dos lares neste momento restritivo. Infelizmente, muitos destes acreditam que tirar a própria vida é a única maneira de escapar desta situação, sair do palco da vida pelos bastidores, mas com isto deixam de ver o depois, o melhor que está por vir.


- O que fazer pra evitar que as pessoas fiquem tão abaladas?


Primeiramente incutir na mente que isso também passará. A ciência está se debruçando intensivamente no encontro da solução da pandemia. Confiar é preciso. Segundo, viver um dia de cada vez. Evitar o excesso de informações. Se dê um ou dois dias sem noticiários, não dê demasiada atenção ao negativismo das postagens das mídias sociais. Busque o positivo, as coisas boas que estão acontecendo. Se tudo isso ainda não for suficiente, buscar ajuda. Muitos terapeutas estão atendendo online, por telefone, alguns deles até gratuitamente. Ligue para um amigo, parente com mais afinidade. Busque também o CVV, por meio do 188. A solidariedade vai vencer este momento e teremos seres humanos melhores para o mundo que virá na sequência.


* https://www.jornaldebeltrao.com.br/Leandra Francischett.










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