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Pandemia pode causar problemas de sono em crianças e adolescentes

Um bom ciclo de sono é essencial para bem-estar desse grupo, que é de risco para distúrbios de sono e de saúde mental, segundo especialistas



Maior tempo de telas pode alterar ciclo de sono de crianças e adolescentes

Pixabay


O potencial para surgimento e agravamento de problemas de sono durante e após a pandemia é alto, especialmente para crianças e adolescentes, informa um editorial escrito por dois especialistas de sono, um dos Estados Unidos e outro da Inglaterra, e publicado no periódico científico The Journal of Child Psychology and Psychiatry.


Segundo o texto, além de as crianças apresentarem risco elevado para o surgimento de distúrbios do sono e saúde mental, o sono é crucial para o bem-estar. Os jovens que já apresentam psicopatologias possuem uma predisposição ainda maior para esse tipo de distúrbio nesse período de mudança e incerteza promovido pela pandemia.


Entre as condições que aumentam o risco para distúrbios do sono estão ansiedade, depressão, transtorno de déficit de atenção, hiperatividade e transtorno do espectro do autismo, segundo os especialistas.


“É indiscutível que as considerações sobre o sono façam parte das pesquisas e iniciativas clínicas destinadas a compreender e mitigar o impacto da pandemia de covid-19 em crianças e adolescentes”, afirmam no artigo.


Um estudo produzido por pesquisadores chineses e norte-americanos publicado em 27 de julho no Journal of Sleep Research avaliou os padrões de sono, distúrbios do sono e fatores associados em crianças pré-escolares chinesas.


As crianças estavam na faixa etária de 4 a 6 anos e moravam na cidade de Zunyi, no norte da China. Os dados foram comparados com uma pesquisa similar feita em 2018. Essa pesquisa mostrou que as crianças estavam indo dormir e acordando mais tarde, tendo o sono noturno mais longo e cochilos diurnos mais curtos.


As crianças que tinham rotina para dormir, uso reduzido de dispositivos eletrônicos, dieta regular, ambiente familiar harmonioso e comunicação entre pais e filhos aumentada, tinham menos distúrbio de sono.


O artigo destaca que o sono interrompido e insuficiente tem sido associado à disfunção do sistema imunológico e por isso sua importância.


A pesquisa mostrou que as crianças iam dormir, em média, 57 minutos mais tarde do que em 2018, isso, nos dias de semana. Já aos finais de semana o tempo era de 30 minutos mais tarde. O horário de acordar ficou uma hora e 52 minutos mais tarde em dias úteis e uma hora mais tarde aos fins de semana.


Quanto aos cochilos, em 2018, 79,8% das crianças dormiam durante o dia, esse número diminuiu para 27,5% em 2020. Porém, o tempo de sono durante um período de 24 horas foi o mesmo.


Outra conclusão, inesperada para os pesquisadores, é que os distúrbios de sono diminuíram, incluindo sonolência diurna, despertar noturno, resistência para deitar e ansiedade do sono.


Uma das maneiras da pandemia afetar o sono das crianças e adolescentes é pela própria covid-19. Apesar dos sintomas normalmente serem leves nesse grupo, eles podem ter impactos no sono, além disso, o isolamento pode resultar em comportamentos sedentários e consumo de alimentos que alteram o peso.


“Crianças e adolescentes também podem experimentar níveis aumentados de estresse, dadas as mudanças generalizadas na situação financeira da família, preocupações com a saúde e incerteza sobre o futuro. Isso também pode resultar em dificuldades para dormir”, afirmam no editorial.


Algumas características da quarentena podem desestabilizar o ciclo de melatonina do corpo, que controla o sono. “O corpo perde uma pista biológica de que é hora de adormecer.”


A diminuição da exposição à luz solar pode dificultar o estabelecimento de uma rotina de sono consistente. “Isso pode causar mais flexibilidade no tempo de vigília, mais sono e mais oportunidades para cochilos diurnos prolongados.”


Aulas online podem aumentar a quantidade de atividades realizadas no quarto ou na cama, prática que não é recomendada, já que esse ambiente deve ser associado ao relaxamento.


E por último, o aumento no tempo de telas, inclusive no período pré-sono, o que também confunde o ciclo de melatonina.


Apesar dos fortes indícios de que a pandemia pode ter piorado o sono de crianças e adolescentes, os autores apontam que algumas pessoas desse grupo podem ter se beneficiado. Crianças mais noturnas podem ter aproveitado melhor a flexibilidade fornecida pelo aprendizado em casa.


Com menos tempo gasto em transporte e a não necessidade de acordar muito cedo para ir à escola, alguns adolescentes podem ser capazes de estabelecer e manter uma programação mais alinhada com seu ciclo natural de sono.


“Os jovens que vivenciam a vitimização dos colegas ou o fracasso acadêmico podem descobrir que a interrupção da escolaridade e das atividades pessoais proporciona um alívio para esses fatores de estresse. Isso pode, por sua vez, reduzir a ruminação ou o desconforto na hora de dormir, o que pode interferir no início e na qualidade do sono.”


O artigo informa que é possível que o sono melhore em certos aspectos, como a duração e piore em outros, como a estabilidade, e enfatizam a necessidade de realizar estudos e pesquisas científicas sobre esse tema.


“À medida que esta pandemia se desenvolve, permanecem grandes incertezas e riscos para a saúde e o bem-estar de crianças e adolescentes. Apoiar nossos jovens para que tenham uma boa noite de sono é apenas uma maneira de ajudá-los a enfrentar os dias incertos que virão.”


*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini


* Aline Chalet, do R7*.



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