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Secretaria de Educação diz que alunos serão aprovados automaticamente em 2020


Seeduc estabeleceu 22 de dezembro como fim do ano letivo


Aulas no estado estão suspensas - Divulgação


A terceira resolução da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) foi publicada no Diário Oficial desta quarta-feira. Entre outras informações importantes, ela revela que o ano letivo de 2020 não será dividido por bimestre e sim por um único bloco chamado de "Ciclo de Aprendizagem", que teve início em fevereiro e terminará em dezembro. Também foi informado na publicação que os alunos que participarem do processo avaliativo não deverão ser reprovados, independentemente do valor de suas notas.


No "Ciclo de Aprendizagem" os alunos serão avaliados com apenas uma nota, de 0 a 10, por matéria, considerando as atividades realizadas ao longo do ano letivo, sejam aulas presenciais, no Google Classroom, videoaulas, ou por meio das apostilas.


"Os professores terão autonomia para avaliar seus alunos, levando em consideração tudo o que o jovem estudou e teve acesso em 2020. Mas, em um ano atípico como esse, não há possibilidade de reprovação. Em 2021, com o retorno total das aulas presenciais, será feito um diagnóstico com cada aluno, para que seja possível estabelecer um itinerário pedagógico e corrigir o déficit nas disciplinas principais", disse o secretário de Educação, Comte Comte.


Para isso acontecer, as unidades escolares deverão monitorar a participação dos alunos no ensino remoto ou presencial, aumentando a atenção para os estudantes em situação de potencial abandono, que é o caso dos jovens que não frequentaram o ano letivo presencial no início das aulas, não tiveram acesso ao ensino remoto e não retornaram às atividades presenciais. As escolas estarão focadas em restabelecer o vínculo com esses estudantes até 22 de dezembro, data do último dia do ano letivo.


"Estaremos trabalhando com a política do 'nenhum aluno a menos', em um esforço, sem precedentes, contra a evasão escolar. As unidades escolares mobilizarão todos os recursos disponíveis na comunidade, no que estamos chamando de 'busca ativa' daqueles alunos que não apresentaram vínculo com a escola na maior parte do ano. O esforço também estará na articulação com os equipamentos públicos que compõem a rede de proteção social para resgatá-los nesse ano e no próximo", afirmou Bittencourt.


Mas, por outro lado, uma professora das redes municipal e estadual, que não quis ser identificada, afirma que a decisão afeta os alunos porque a adesão foi "baixa". "Acho isso muito complicado porque na verdade esse ano a gente não deveria falar em aprovação nem reprovação. Passar os alunos automaticamente é ratificar mais ainda a desigualdade social e a diferença que houve em relação a implementação dessas aulas remotas", disse. "Ensino requer interação, resposta. Na rede estadual apenas 11% dos estudantes inicialmente tiveram acesso a plataforma", completou.


Para a profissional, não houve um ciclo de aprendizagem este ano, ela também questiona a maneira como a aprovação será feita. "Falar em aprovação eu acho uma grande aberração porque sabemos que na maioria das escolas estaduais não houve processo de ensino e aprendizagem, então como você aprova alguém se não proporcionou um processo de aprendizagem para aquela pessoa?", indagou.


Ela também criticou o fato de que a decisão foi tomada sem que pais de alunos ou professores fossem consultados. "Isso é validar ainda mais todas as mazelas que a educação pública vem sofrendo", ressaltou. A Secretaria de Educação tem previsão de colocar em prática, ano que vem, o chamado "Continuum Escolar", que prevê atividades extras, incluindo remotas, dobrando o conteúdo para dar conta do que foi perdido durante a pandemia.


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